Capitão América Admirável Mundo Novo mostra que a fórmula Marvel virou uma jaula
- Marcos Silva
- 13 de fev.
- 3 min de leitura
Em parceria com a Disney e a Espaço Z, conferimos Capitão América Admirável Mundo Novo. O filme responsável por trazer Sam Wilson, o novo dono do escudo, ao centro da ação estreia nos cinemas brasileiros no dia 13 de fevereiro. Confira nossas impressões a seguir.

Um novo heroi de escudo na area
Dando sequência aos eventos de Vingadores Ultimato e da série Falcão e o Soldado Invernal, acompanhamos Sam Wilson enfrentando novos desafios como o portador do escudo. Thaddeus Ross, recém eleito presidente dos EUA, se alia a Sam em busca de um futuro mais seguro. Ele anuncia planos para explorar os restos de um Celestial na Terra (lembra de Eternos?) e o recém-descoberto Adamantium, um metal ainda mais resistente que o Vibranium.

No entanto, durante um comício, Ross sofre um atentado surpreendente de Isaiah Bradley, o “supersoldado esquecido”, que jura não se lembrar do ocorrido. Desconfiado, Sam inicia uma investigação por conta própria e descobre que algo maior está em andamento. Não só isso, quanto mais Sam busca pelo cérebro por trás das operações, mais ele descobre que o passado de Ross não é tão limpo quanto parece.
Uma Marvel presa no passado
Desde a Saga do Infinito, o MCU vem sofrendo com uma sensação de desgaste criativo, e o novo Capitão América é mais uma prova disso. O filme tem um início com bastante potencial, onde ele explora como é a ação do novo Capitão América, que utiliza tanto do escudo quanto das asas para criar acrobacias interessantes em tela.

Outro bom destaque é a atuação de Harrison Ford. Me surpreende poder relatar que o nosso eterno Han Solo está entregando bastante presença e nuances no filme para o Ross, e que o ator se adaptou muito bem dentro do contexto que ele é inserido.
Porém, o problema é que nada mais surpreende. A trama também tenta emular o tom investigativo similar ao de Capitão e O Soldado Invernal, porém mal é capaz de arranhar a superfície. O CGI, que já vinha sendo criticado em outros lançamentos, decepciona. Especialmente as cenas da transformação e da ação do presidente Ross no Hulk Vermelho, ao refletir os movimentos do Hulk da década passada, parecem pouco inspiradas.

É de conhecimento geral que esse filme passou por refilmagens extensas, e isso reflete uma montagem visivelmente picotada como resultado final. Ainda assim, existe um mérito: o roteiro de Malcolm Spellman é coeso e amarrado, apesar de básico. Malcom consegue estabelecer a história nos diálogos sem desafiar quem não assistiu à série Falcão e o Soldado Invernal, da qual ele era o showrunner.
Pane no sistema, alguém me desconfigurou
Admirável Mundo Novo é um filme funcional, mas, no fim das contas, tudo parece um sopro para manter a máquina girando, sem criar uma história que seja realmente memorável. Ele se encaixa sem faltas dentro da estrutura Marvel sem oferecer nada que justifique sua existência além da necessidade de preencher um calendário.

Não é que o público cansou de super-herois, mas sim que, a mesma indústria que treinou os seus fãs para o “próximo grande evento” parou de evoluir, de desenvolver as suas histórias nos menores detalhes - àqueles que fazem o fã escolher um heroi favorito e ir com ele até as próximas aventuras.
Se este filme tivesse sido lançado 15 anos atrás, talvez parecesse mais relevante. Hoje ele só evidencia a sensação de que a casa das ideias está presa a uma fórmula que já não empolga. Nem mesmo suas tradicionais cenas pós-créditos conseguem gerar qualquer expectativa. Talvez, a única ansiedade é para que os créditos terminem logo e o público possa ir embora, e vida que segue.
Comments