Os Radley: uma nova visão sobre vampiros ou só mais do mesmo?
- Maurício Neves
- 27 de fev.
- 3 min de leitura
Os Radley, dirigido por Euros Lyn e escrito por Talitha Stevenson, é baseado no romance de 2010 de Matt Haig. O elenco conta com Damian Lewis, Kelly Macdonald, Harry Baxendale, Bo Bragason, Shaun Parkes e outros nomes.
Fomos convidados pela Paris Filmes para assistir antecipadamente ao longa, que chega hoje aos cinemas brasileiros. Aviso antecipadamente que não li a obra original; portanto, minha opinião será referente somente ao audiovisual. Confira a seguir as considerações.
Enredo

Os Radley aparentam ser uma família perfeita, mas escondem um grande segredo: ninguém suspeita que eles sejam vampiros. Helen (Kelly Macdonald) e Peter (Damian Lewis) escondem até mesmo de seus filhos suas verdadeiras naturezas. Autodenominados 'abstêmios' — vampiros que optam por não beber sangue —, seus disfarces são revelados quando a filha adolescente se defende de um assédio. Assim, Helen e Peter são obrigados a revelar a verdade.
Roteiro

O início prende a atenção, mas o desenvolvimento segue um caminho inesperado, resultando em uma conclusão previsível e pouco inspirada.
A produção tenta trazer algo novo ao tema, que já foi reciclado diversas vezes (quem não se lembra da época em que produções sobre vampiros estavam em alta e todos os meses havia um lançamento do gênero? The Vampire Diaries, True Blood, Crepúsculo…).
Embora o filme seja bem produzido e visualmente bonito, não espere encontrar aqui cenas que provoquem medo ou arrepios. A inclusão da representatividade LGBTQIA+ poderia ser mais bem explorada. O relacionamento entre os filhos dos protagonistas é pouco desenvolvido, e o conflito interno do personagem LGBTQIA+ não é aprofundado.
Após toda a introdução, somos apresentados a Will, irmão gêmeo de Peter, que chega para auxiliar a família, mas seu personagem não é bem desenvolvido. Como em outros filmes com personagens que guardam segredos, alguém desconfia e investiga o caso. O vizinho da família, ex-policial cuja esposa desapareceu anos antes, investiga a verdade. No entanto, esse arco narrativo é pouco explorado ao longo do filme.
Embora o roteiro consiga trabalhar bem a metáfora do vampirismo como uma analogia ao vício e outros temas, o filme poderia ter sido mais ousado e aprofundado essas questões. Os últimos minutos são apressados, com tudo sendo resolvido rapidamente. Apesar dos tropeços, Os Radley se destaca pela proposta única em um gênero saturado e oferece uma boa dose de entretenimento.
Elenco

Damian Lewis interpreta dois personagens, trazendo um grande contraste entre eles. Kelly Macdonald vive a esposa de seu personagem e, embora sua atuação seja boa, a química entre o casal não convence.
Jay Lycurgo e Harry Baxendale, que interpretam os personagens mais interessantes da história, não têm muito desenvolvimento em seu relacionamento, dando a impressão de que a pauta LGBTQIA+ foi utilizada somente para atrair esse público.
Bo Bragason apresenta uma personagem forte e cheia de personalidade, mas, assim como outros, acaba sendo subutilizada e pouco desenvolvida. O mesmo acontece com Shaun Parkes e todo o arco narrativo de seu personagem relacionado ao desaparecimento da esposa.
Apesar do esforço dos atores, o roteiro não soube aproveitar o potencial de cada um.
Considerações

Vendido como um terror/comédia, Os Radley pode desagradar ou até decepcionar muitos espectadores. O filme teria mais sucesso com lançamento direto no streaming ou como série.
No fim, trata-se de um longa com mais história e drama do que “vampirismo”. Além disso, sua duração poderia ser um pouco menor. No entanto, quem aprecia produções britânicas vai se sentir familiarizado com a estrutura do filme.
O desfecho sugere continuação, embora o livro original não tenha sequência. Não é um filme ruim, mas também não vai com muitas expectativas. É uma boa distração para um domingo entediante.
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