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Parthenope é deslumbrante na tela mesmo com um roteiro sem rumo

  • Foto do escritor: Marcos Silva
    Marcos Silva
  • 16 de mar.
  • 3 min de leitura

Atualizado: 18 de mar.

Confira a nossa análise profunda (ou nem tanto) do novo longa do diretor italiano Paolo Sorrentino. O filme esteve no Festival de Cannes do ano passado e também no Festival de Cinema Internacional do Rio, também em 2024. Ele estreia nos cinemas brasileiros no dia 20 de março.

O enredo

O local é Nápoles, na Itália. Em meio à paisagem exuberante da costa italiana, nasce Parthenope, batizada com o nome de uma sereia da mitologia grega que tem conexão com a cidade. Crescendo rodeada de amores efêmeros e uma paixão por sua terra natal, exploramos junto à jovem seu amadurecimento em um caminho cheio de descobertas excitantes e frustrações intensas. Diante de um desejo desenfreado por liberdade, será que a cidade costeira de Nápoles será capaz de conter todos os seus anseios? 

Parthenope é deslumbrante na tela mesmo com um roteiro sem rumo

O brilho de Parthenope

Desde os primeiros minutos, Parthenope encanta com sua atmosfera doce e magnética. Celeste Dalla Porta é uma atriz de trabalhos pequenos que desponta aqui em seu primeiro grande papel, e surpreende pela sua habilidade em dominar a tela. Celeste remete bastante ao que Margaret Qualley faz em A Substância, ou ao que a Ana de Armas faz em…qualquer filme com a Ana de Armas!


Seu magnetismo natural reflete a essência da protagonista: uma jovem cheia de vida, inteligência e sagacidade, que sabe como usar sua beleza e astúcia para abrir portas, mesmo que, ainda que não tenha certeza do que quer encontrar. 

Parthenope é deslumbrante na tela mesmo com um roteiro sem rumo

O diretor foi agraciado pela atriz que é uma dos maiores acertos do filme. Celeste foi agraciada por um elenco de peso, contracenou com Gary Oldman, que faz uma breve, porém marcante aparição. Ela ainda recebeu uma recriação exclusiva de Saint Laurent, uma jaqueta feminina de smoking, desenhada especialmente para o filme pelo próprio estilista. 

Parthenope é deslumbrante na tela mesmo com um roteiro sem rumo

O lugar mais lindo do mundo

É quase impossível filmar a exuberância de Nápoles sem inspiração, e a fotografia de Parthenope não falha nesse quesito. Paolo Sorrentino captura a cidade com excelência e sua paixão é visível. Alguns momentos flertam com um comercial de perfumes, confesso, porém quando ele decide capturar algo para agregar na história, o resultado é brilhante. 

Parthenope é deslumbrante na tela mesmo com um roteiro sem rumo

Dois momentos se destacam: há uma cena matinal onde um desfoque da câmera atrás da protagonista a coloca em evidência e transforma o fundo numa pintura impressionista. Já à noite, rola um jogo de luz e sombras criando uma espécie de holofote natural sobre os personagens, acentuando o limiar entre os desejos ardentes proibidos e as próprias frustrações que estão em jogo.

Um encanto disperso

O filme tem uma dificuldade em encontrar uma unidade em seu roteiro para permear e amarrar a nível de uma obra com coesão. Parecem cenas e cenas que mostram o óbvio amor do diretor por Nápoles, mas que em plano maior criam uma desconexão em termos de uma história fechada. Isto faz com que encontremos, como audiência, uma dificuldade em se conectar com a personagem principal, seus interesses e desejos ao chegar na sua fase mais madura no final do filme.

Parthenope é deslumbrante na tela mesmo com um roteiro sem rumo

O diretor até mostra vontade, mas isso acabou criando um show de apreciação que aparentemente apenas ele consegue curtir. Em termos de elenco, atuações, fotografia e trilha sonora, o filme dá um show na tela. Parthenope se coloca como uma aprendiz da vida, se coloca em risco para investigar tudo com os próprios olhos. Uma pena o pilar principal, o roteiro, não ter acompanhado tão bem e ficado para trás.


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